“Meus amigos:
Todo o fato é terrível – não é isso que está discutindo – porém acho importante fazermos algumas reflexões, pois o aborto não era a única nem a melhor opção:
a) Devem ter usado Cytótec (?) – que tem protocolo muito claro para tratamento de úlceras gástricas – não há experiência suficiente de seu uso em meninas de 9 anos grávidas (mesmo que tenham usado outra droga – sempre se está atirando meio no escuro pois é de se convir que é raro uma gravidez gemelar aos 9 anos) – portanto houve risco na indução do aborto;
b) A menina não corria risco de vida agora – não havia esta pressa nem indicação de intervenção no momento para salvar a sua vida;
c) De onde vem a estatística que ela corria o risco de 90% de morte ou de qualquer outra %? Estatística deve ser registrada em trabalho médico de pesquisa e com amostragem significativa para ter valor;
d) Haveria possibilidade que tivesse parto prematuro ou até aborto – mas, quando espontâneo, o processo é mais simples de menor risco;
e) Se levasse a gravidez pelo menos até 22 semanas (5 meses e meio), teríamos 15 a 20% de chance de sobrevivência para os gêmeos (mesmo que fosse 10% de chance – estaríamos tentando salvar as crianças sem aumento de risco para a mãezinha);
f) Psicologicamente, esta menina foi usada como um trapo pelo homem, destruída como pessoa, percebendo-se marcada inconscientemente como algo sem valor – e por 3 longos anos. Ao experimentar a destruição dos filhos como lixo, o inconsciente registra – “viu, sou lixo e de mim só pode sair lixo”. Sabe-se lá como se fará para recuperar todo esse novelo em sua cabecinha. Por outro lado, imagine-se: ela sentido-se rodeada por atenção, amor, cuidado e experimentado a valorização das crianças que trazia dentro de si – mesmo que analise racional não fosse predominante – poderia estar começando ai o seu resgate como pessoa integra;
g) Sei de meninas que deram a luz com 10 anos e continuam muito bem após anos e anos;
h) Não sei de ninguém que morreu por causa da idade precoce com que engravidou, se recebeu acompanhamento adequado. Vou pesquisar mais e comunico a vocês se houver algum trabalho nesse sentido”.
Dra. Elizabeth Kipman Cerqueira
Médica Ginecologista-Obstétrica; integrante da Comissão de Ética e Coordenadora do Depto. De Bioética do Hospital São Francisco, em Jacareí, São Paulo, Direto do Centro Interdisciplinar de Bioética da Associação “Casa Fonte da Vida”: especialista em Logoterapia e Logoteoria aplicada à Educação.